Palmas - Tocantins - Brasil, Terça-Feira, 21 de Agosto de 2018

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Birra e manha podem ser doença

Vai longe o tempo em que birra e manha explicavam todos oscomportamentos das crianças e deviam ser corrigidos com broncas,castigos ou palmadas. Hoje se sabe que os pequenos podem sofrer comvários problemas emocionais.

Estudos revelam que ostranstornos ansiosos atingem entre 9% e 15% das crianças eadolescentes. Os mais comuns são o de ansiedade de separação (4%), o deansiedade geral (2,7% a 4,6%), e as chamadas fobias específicas (2,4% a3,3%). Veja nesta edição como identificar esses transtornos e ajudarcrianças e adolescentes a superar esses problemas.

Transtorno de ansiedade generalizada traz medo e tensão
As crianças com transtorno de ansiedade generalizada (TAG) têm medoexcessivo e sentimentos de pânico exagerados e irracionais diante devárias situações. Estão sempre tensas e muito preocupadas com ojulgamento que os outros têm sobre o seu desempenho. Precisamexageradamente que as pessoas demonstrem confiança e as tranqüilizem.Têm dificuldade para relaxar, reclamam de problemas físicos sem causaaparente e têm sintomas como palidez, suor excessivo, respiraçãoacelerada, tensão muscular. Tendem a ser autoritárias quando querem queos outros a tranqüilizem.

A criança pergunta o tempo todo se o que as pessoas dizem é verdade, serecusa a iniciar qualquer atividade nova, pede para alguém verificar alição a cada trecho terminado, mostra-se muito aborrecida e angustiadacom o que pensam os colegas de escola sobre ela. Todo ou quase todo otempo preocupa-se ora com uma coisa, ora com outra, causando tensão eirritação nas pessoas pelo absurdo da situação, sendo difícilacalmá-la. O início deste transtorno costuma ser imperceptível e depoisvai se agravando até se tornar intolerável.

Transtorno por separação causa muito sofrimento
Quando a criança ou adolescente reage de forma excessiva ao afastamentodos pais ou de quem toma conta dela – numa idade em que isso não éesperado – e essa reação continua por pelo menos um mês causandosofrimento intenso e prejudicando suas atividades, é preciso verificarse ela não está sofrendo de transtorno de ansiedade de separação.

As crianças ou adolescentes com esse transtorno têm medo de que umacontecimento ruim (acidente, seqüestro, assalto, doença etc.) osafaste definitivamente dos seus pais ou cuidadores. Por causa disso,demonstram apego excessivo, não permitindo o afastamento ou telefonandoo tempo todo para saber se os pais estão bem. Em casa, querem companhiapara dormir e resistem ao sono, que consideram uma separação sobre aqual não têm controle. Muitas vezes têm pesadelos sobre a perda dospais e sofrem muito quando têm que ir para a escola, mesmo que gostem eestejam adaptadas ao ambiente escolar.

As reações diante do afastamento dos pais podem incluir dor abdominal ede cabeça, náusea e vômitos, além de palpitações, tontura e sensação dedesmaio, nas crianças maiores, causando grande estresse pessoal efamiliar. A criança sente-se humilhada e medrosa, tem sua auto-estimareduzida e pode chegar a ter problemas na vida adulta, principalmente otranstorno de pânico.
O que fazer?
- Observe atentamente o comportamento da criança, registrando com omáximo de detalhes as suas reações e relacionando as situações,procurando descobrir do que ela tem medo, com que intensidade, háquanto tempo, qual a situação que deu início a esse comportamento etc.

- Procure saber dos professores como a criança se comporta na escola

- Na dúvida, busque a ajuda de um psicólogo

- Participe ativamente do tratamento psicoterápico, cumprindo o que foi combinado

- Se os sintomas forem graves (o psicólogo saberá dizer), procure umpsiquiatra porque pode ser necessário entrar com medicação

- Pais, professores, terapeuta e médico devem estar de acordo comrelação aos objetivos e métodos do tratamento. Essa sintonia éfundamental

- Se a criança parou de ir à escola, é preciso que ela retorne o maisrápido possível, de forma gradual e respeitando as suas limitações e oseu sofrimento

- A família precisa ser conscientizada do problema e do tratamentoproposto, para que todos incentivem a criança a recuperar suaautonomia, da maneira combinada

- Compreenda, abrace, beije, converse, mas não deixe de impor, comfirmeza, disciplina e amor, os limites necessários à formação dacriança
O que não fazer?
- "Diagnosticar" o problema sem uma análise criteriosa: "é birra", "umas palmadas vão dar um jeito" etc.

- Expor a criança às situações das quais tem medo sem orientação profissional, ou pior, usando de violência ou sarcasmo

- Desqualificar a criança, fazendo com que ela se sinta inferior

- Demonstrar irritação, impaciência, gritar

- Deixar de buscar ajuda profissional até que o problema fique tãograve que afete o equilíbrio emocional de quem cuida da criança,causando ainda mais danos
Fobias são reações a situações específicas
Fobias são medos excessivos e persistentes relacionados a determinados objetos ou situações específicos.

Diante da situação de que tem medo, a criança corre para perto dos paisou de alguém que a faça se sentir protegida e tem reações de choro,desespero, imobilidade ou agitação, ou até mesmo um ataque de pânico.

É comum e saudável que as crianças tenham medo de pequenos animais, injeções, escuridão, altura e barulhos altos.

Mas quando reagem de forma excessiva, sem controle, e essa reação épersistente e prejudica suas atividades, é preciso buscar tratamento.
Dificuldade de falar em sala de aula pode ser sinal de problema
Até os dois anos, o medo de estranhos é considerado natural. Mas,depois dessa idade, se as crianças têm medo contínuo e intenso daavaliação de outras pessoas, ou de se comportarem de maneiraconsiderada humilhante ou vergonhosa ("todo mundo vai olhar para mim";"e se eu fizer alguma coisa errada?"), pode-se suspeitar de umtranstorno conhecido como fobia social, expresso por choro, ‘acessos deraiva’ e recusa em se relacionar com pessoas que elas não conheçam.Crianças com fobia social sofrem ao falar em sala de aula, comer nacantina com os colegas, ir a festas, usar banheiros públicos, falar comprofessores e treinadores, e até de simplesmente conversar e brincarcom outras crianças. Nessas situações, elas freqüentemente sentempalpitações, tremores, calafrios e calores súbitos, suor excessivo enáusea. É comum que também tenham depressão.
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Fonte: edição especial Cidadania Jornal do Senado, ANO VI – nº 219, 16 a 22 de junho de 2008.

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