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Biblioteca Ambulante apresenta cultura afro-brasileira a estudantes

11/01/2010 - A Escola Estadual Jardim Araguaia, do município de Barra do Garças (MT), não tem biblioteca permanente. Para suprir essa carência e incentivar a leitura, a professora Rose-Meire Dias Santos idealizou o projeto “Biblioteca Ambulante: A Cor da Cultura Formando Leitores e Jovens Griots”.

Implementada em 2009, a iniciativa buscou, por meio da leitura, promover melhorias na produção textual dos alunos do Ensino Fundamental. Outro objetivo era trabalhar de maneira interdisciplinar com a cultura africana e afro-brasileira, seguindo as recomendações da lei n° 10.639.

Após descobrir os vídeos da TV Escola: A Cor da Cultura I e II, enviados pelo Ministério da Educação (MEC), a professora resolveu desenvolver um novo projeto pedagógico na escola. Para conseguir o material necessário, encaminhou a proposta para concurso da Secretaria Estadual de Educação que selecionava os melhores planos de trabalho com a temática afro-brasileira. Assim obteve financiamento para compra dos livros paradidáticos.

A partir de prateleiras de supermercados, confeccionou estantes móveis para expor o acervo. A biblioteca possibilitou a professora, que atua com alunos com dificuldade de aprendizagem, iniciar várias ações para melhoria do ensino da escola toda. A primeira foi formar um grupo de contadores de histórias ou “griot” na cultura africana, com os alunos do Ensino Fundamental I.

Segundo a coordenadora do projeto, no início, os alunos se mostravam tímidos. Retiravam os livros das estantes, liam, mas não queriam compartilhar as histórias com os colegas. “Hoje todos querem ser griots”. A professora também envolveu os alunos do Ensino Fundamental II. Além de contadores, eles também são atores. Dramatizam as histórias dos livros e apresentam na escola e para comunidade.

Além da melhora da produção textual, para Rose-Meire, outra grande contribuição do projeto foi estimular o respeito às diferenças. “Não adianta apenas falar de preconceito, sem apresentar as raízes históricas e culturais”.

Interdisciplinaridade

Outra ação da professora Rose-Meire foi envolver professores de diferentes disciplinas para um trabalho conjunto. Quando lançou a ideia sofreu resistência da coordenação pedagógica e de alguns professores. Aos poucos um grupo de docentes começou elaborar planos de aula e implementar as atividades. Com os resultados positivos, houve adesão da escola.

A temática cultura africana e afro-brasileira esteve presente nas aulas da diferentes disciplinas. Os professores escolhiam um livro paradidático do acervo da biblioteca ambulante. A partir da história, o professor de matemática abordava conteúdos específicos, por exemplo, porcentagem. Com esse conhecimento, os alunos puderam realizar um censo. Ao mesmo tempo, o professor de história tratava do contexto da formação do Brasil. Já o professor de ciências abordava a questão ambiental e o de geografia, os mapas do continente africano.

“Também incentivamos os professores registrarem sua pesquisa, planos de aulas e avaliações. Isso ajuda a refletir a prática docente”, comenta Rose-Meira.

Em 2010, a escola pretende continuar com projeto. Também deseja ampliar o contato com a comunidade do entorno da escola. Em 2009, durante a semana da mostra cultural, os jovens griots saíram pelos bairros para contar as histórias afro-brasileiras para os moradores da região.

Por Talita Mochiute, de O Aprendiz

fonte: http://www.rts.org.br/noticias/destaque-2/biblioteca-ambulante-apresenta-cultura-afro-brasileira-a-estudantes

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