Guaraí - Tocantins - Brasil, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

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Escola estimula consciência ecológica

Fundada há 25 anos, a escola Amigos do Verde, localizada em Porto Alegre (RS), estimula a consciência ecológica em cada pequeno detalhe das atividades realizadas por alunos e professores. Composteira, telhado verde, oficinas de reciclagem, agroecologia, criação de animais e nutrição saudável são alguns dos pilares deste colégio que é referência na questão. A diretora e fundadora Silvia Carneiro conta nesta entrevista o que motiva o trabalho e dá dicas para outras escolas.

Mobilizadores COEP - Que atividades de educação ambiental são realizadas na escola?

O principal objetivo é que a educação ambiental não seja segmentada, como uma disciplina – educação ambiental, matemática, geografia etc. As crianças aprenderem desde pequenas que fazem parte da natureza, que tudo está interligado. Nós juntamos as filosofias de diversos teóricos, como o filósofo francês Edgar Morin, o educador espanhol Rafalel Yus, o educador Humberto Maturama etc.

Temos aulas de agroecologia desde o grupo 1 (que é o nosso primeiro ano do Ensino Fundamental), com biólogo formado. Mas no dia-a-dia eles têm contato com animais (jabuti, porquinho-da-índia, galos, galinhas, tartarugas, periquito, codorna), com a composteira, com a horta, com os 2.500 metros quadrados de área verde que temos, com o telhado vivo*1 e a cisterna para captação de água. Toda semana, eles são responsáveis por um desses espaços. No telhado vivo, por exemplo, têm que fazer o manejo. Se forem responsáveis pelos animais, vão limpar, alimentar etc. Eles vão se apropriando disso e vendo que fazem parte desse universo. O objetivo não é as crianças olharem esses espaços como se fosse um zoológico, mas sim interagir com eles e com a natureza, para que todos se sintam responsáveis pelos espaços da escola.

Esses aspectos permaculturais*2 são separados por pastas. As turmas fazem um rodízio de pastas por semana. A alimentação é naturalista e fazemos uma harmonização para começar a semana, na segunda-feira, e outra para terminá-la, na sexta, quando eles trocam de pastas. Essas harmonizações envolvem toda a equipe. Realizamos danças circulares, ou uma meditação, ou um canto. No início e final de cada turno harmonizamos as professoras com seus alunos. Dessa forma, além da pessoa entrar em contato consigo própria, harmoniza-se com o outro e com o planeta. Este é um outro enfoque da ecologia.

Mobilizadores COEP - Há 25 anos a escola alia educação e ecologia. O que mudou ou evoluiu neste tempo, em termos de atividades pedagógicas realizadas?

Mudou bastante. Existem dois tipos de escola: a que reproduz o sistema, que é a escola convencional, e a escola que transforma e gera autonomia reflexiva, que é onde nós nos colocamos.

Observamos a família e nossos alunos e percebemos suas necessidades. Junto com isso, a escola também muda seu funcionamento, seu propósito. Por exemplo: o projeto político-pedagógico (PPP) da escola muda anualmente, com base nas avaliações dos pais, dos alunos e da equipe. Há cinco anos, estabelecemos no PPP que não mais seriam usados copos descartáveis nos eventos – festa junina, Feirão de Orgânicos etc. - e que as famílias trariam seus copos, pratos e talheres de casa. Hoje, isso flui automaticamente, não precisamos lembrar os pais disso. Terminamos as festas, com 200 pessoas, e a escola está limpa, sem nada pelo chão, sem produzir lixo. Sempre vai haver novos propósitos.

Neste tempo, uma outra coisa evoluiu muito. Trabalhamos com um projeto de estudo, que define os temas que as crianças estudam durante duas a três semanas [ex: folclore, astronomia etc.]. Antes, votávamos democraticamente os projetos. Hoje, definimos projetos de estudo, e as crianças decidem por consenso quais vamos executar – algo bem mais evoluído e ao mesmo tempo mais difícil. Depois de fazer essa escolha, as crianças fazem o mapa mental, que é um trabalho coletivo onde apontam o que querem estudar dentro de um determinado tema. Isso é uma evolução do trabalho e acho que a escola tem que estar sempre buscando evoluir.

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